DELEGADO QUER LEI PARA PROIBIR PIPAS EM VIA PÚBLICA

Como não há ainda uma legislação específica no Estado do Pará que proíba a utilização de cerol em linhas de pipas (papagaios), o delegado Nelson Silva, diretor da 16ª Seccional de Polícia Civil de Santarém, defende que o município crie uma lei que proíba tal prática e delimite áreas onde a brincadeira de soltar pipas pode ocorrer, de forma a resguardar a segurança dos cidadãos.
“Hoje, sem uma legislação específica, o que a polícia pode fazer se for identificada a pessoa que provocou acidente com a linha de pipa com cerol, é o enquadramento do acusado por crime de lesão corporal. Em se tratando de menor de idade, os pais também podem ser responder por tal conduta lesiva”, explica Nelson Silva.
O uso de cerol em linhas de pipa voltou a ser discutido após o acidente com o jovem Raimundo Cidean Lima Cunha, na tarde da última quarta-feira (28), quando ele seguia para o trabalho com a esposa pilotando sua motocicleta. O acidente aconteceu na Av Cuiabá, bairro da Matinha O condutor trafegava em baixa velocidade quando foi atingido à altura do pescoço pela linha com cerol. O ferimento não foi profundo, mas provocou grande sangramento.
A vítima foi socorrida por populares e por uma ambulância do município de Mojuí dos Campos que passava pelo local no momento do acidente. Raimundo foi levado para o Pronto Socorro Municipal onde passou por cirurgia e segue internado.
Em alguns estados como Macapá, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, há legislações específicas que proíbem não só o uso do cerol nas linhas de pipa, como o comércio dos produtos utilizados na mistura que se usada de forma inadequada pode até provocar morte.
Em Santarém, todos os anos a Celpa faz uma campanha de conscientização sobre o cerol das linhas de pipas, mas isso em função dos prejuízos causados à rede de distribuição de energia elétrica. Outras campanhas em nível nacional são feitas pelo Contran alertando sobre a necessidade dos motoqueiros utilizarem antenas de proteção acima do guidão para prevenir acidentes com as linhas de pipa. Essas leis também preveem multas e até pena de prisão para os infratores.
Perigo
O cerol tradicional é uma mistura de pó de vidro (normalmente de bulbos de lâmpadas) com cola, porém existem também varias modificações do cerol. Uma delas é substituir o vidro por pó de ferro, que é facilmente adquirido em serralherias. A fusão do ferro pelo maçarico deixa cair no chão um minúsculo pó, que, com o tempo, vai se criando no local uma vasta massa de pó. Esse material é retirado por vendedores de cerol e por pipeiros regularmente longe dos olhos da polícia. Esse material é misturado à coladesapateiro ou cola de madeira. Por causa da presença do ferro, as linhas impregnadas com esta variante de cerol conduzem a eletricidade facilmente. Basta um único contato da linha com os fios de alta tensão para que a pessoa seja eletrocutada. Mesmo sendo mais perigosa, a mistura com pó de ferro é menos utilizada do que a mistura feita com vidro.
“Como a maior parte dos acidentes ocorre com motociclistas, a gente alerta que eles façam uso das antenas de proteção. É uma questão de segurança para o próprio motoqueiro. Não dá para negligenciar, porque como não há uma fiscalização sobre o uso do cerol, qualquer pessoa pode ser atingida por esse tipo de linha e acabar perdendo a vida”, reforça o 1º tenente Da Silva, do 4º GBM.
O tenente lembra que embora a maior parte dos acidentes ocorra com motoqueiros, também podem ser vítimas do cerol: aeronaves, pedestres, ciclistas, motociclistas, paraquedistas, skatistas e outros.
 
Linha chilena
Nova estratégia para a diversão de empinar pipas, a linha chilena já está sendo utilizada em Santarém, segundo informações que chegaram ao conhecimento do Conselho Tutelar II. O instrumento representa mais perigo nas ruas.
A linha chilena é composta por quartzo moído e óxido de alumínio, e está preocupando as autoridades pelo Brasil a fora, por ser mais um objeto de grande perigo, principalmente aos motoqueiros, porque pode cortar até quatro vezes mais do que a linha nacional usada com o cerol.
 
Cuidados com a brincadeira
Nas campanhas de conscientização realizadas pela Celpa, algumas dicas são repassadas à população de um modo geral para evitar acidentes com pipas. Confira:
Não solte pipas perto da rede e da fiação elétrica, prefira os campos abertos ou parques;
Se a pipa enroscar nos fios da rede elétrica, não tente tirar.  Ao puxar a pipa, os fios podem se tocar, provocando curto-circuito e rompimento de cabos. Isso ocasiona falta de energia e pode causar graves acidentes.
Não solte pipas em dias com chuva ou relâmpagos. Você corre o risco de levar uma descarga elétrica;
Não use cerol na linha das pipas, que, além de ser proibido, constitui um grande risco para as pessoas, podendo cortar a rede elétrica e provocar acidentes graves com ciclistas e motociclistas;
Evite usar linhas metálicas ou fitas magnéticas (de vídeo, K7), que são materiais condutores de energia elétrica e podem causar acidentes;
Não suba em telhados, lajes, postes ou torres para empinar ou recuperar pipas;
Não tente retirar as pipas, rabiolas e papagaios engatados na rede elétrica. Esse tipo de situação é responsável por boa parte das interrupções no fornecimento de energia elétrica no mês de julho e podem causar acidentes fatais.
 
Donte: O Estado do Tapajós
 

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