PARTE DA PM DE ITAITUBA É DENUNCIADA POR CRIMES

O tenente-coronel da Polícia Militar, Josafá Pereira Borges, é acusado pelo Ministério Público Militar de comandar em Itaituba um esquema que envolvia apropriação da produção de cassiterita de garimpeiros, cobrança de propina para policiais militares que atuam no distrito de Moraes de Almeida, no valor de R$ 3 mil, além da cessão de militares para servirem de segurança particular para um indivíduo conhecido por “Gauchinho” na região de Itaituba.
       Ten Cel Josafá Denunciado pelo MPE
 
Esse homem é quem movimenta a roda da extorsão e da corrupção nos garimpos, utilizando-se de policiais militares.O coronel Josafá Borges, o subtenente Antônio Luiz Noia Silva, os soldados Edson de Carvalho Vieira, Adriangelo Melo de Castro, Luis Tiago Viana Fonseca, Fabrício Costa Ferreira, e o sargento Raimundo Jurandir Costa de Oliveira, foram denunciados esta semana à Justiça Militar pelo promotor militar Armando Brasil Teixeira e serão levados a julgamento, podendo vir a ser expulsos da PM em caso de condenação. Os seis primeiros denunciados por Armando Brasil estão incursos no artigo 303 do Código Penal Militar (CPM), enquanto o sargento Raimundo Jurandir Oliveira foi enquadrado no artigo 319 do mesmo código militar.
Promotor Armando Brasil Ministério Público.
 
O artigo 303 diz que é crime “apropriar-se de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse ou detenção, em razão do cargo ou comissão, ou desviá-lo em proveito próprio ou alheio”.
 
A pena é de 3 a 15 anos de prisão. O artigo 319 afirma ser crime “retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra expressa disposição de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal”.
 
A pena vai de seis meses a dois anos de prisão.Segundo os autos do Inquérito Policial Militar (IPM), moradores do distrito de Moraes Almeida encaminharam à promotoria de Itaituba uma carta, denunciando várias ilegalidades praticadas em 2012 pelo coronel, então comandante do Batalhão da Polícia Militar de Itaituba, Josafá Borges.
 
Dentre elas, a cobrança de propina para os policiais militares que servem no distrito de Moraes de Almeida, no valor de R$ 3 mil, além da cessão de militares para servirem de segurança particular a um cidadão de alcunha “Gauchinho”, que invadia garimpos na região e se apropriava de cassiterita com o auxílio dos PMs.Segundo a denúncia, depois de se apropriar da cassiterita dos garimpeiros, “Gauchinho” vendia toda a produção e dividia o lucro com o coronel Josafá e seus comandados envolvidos nas ações violentas.
 
A promotoria de Itaituba remeteu carta à promotoria militar, que imediatamente requisitou à corregedoria da PM a instauração de inquérito policial militar. De acordo com o depoimento do garimpeiro Carlos Augusto Bento das Chagas, em junho de 2012 ele foi avisado por sua esposa Ivanilda Nascimento Assis, que “Gauchinho” havia invadido o garimpo de sua propriedade juntamente com os soldados Castro e Ferreira e de lá subtraíram toda a sua produção de cassiterita.
 
OMISSÃO
 
Carlos relata que ainda tentou negociar com “Gauchinho” para que ele não ficasse com toda a produção, deixando uma parte ao garimpeiro, mas o invasor não aceitou nenhum tipo de acordo. Ivanilda confirmou o depoimento do marido, revelando que depois do ocorrido no garimpo dirigiu-se à delegacia de polícia e ao destacamento da PM de Moraes de Almeida, mas, segundo ele, o comandante da guarnição, sargento Raimundo Jurandir explicou que nada poderia fazer, porque os seguranças de “Gauchinho” eram os próprios policiais militares.
 
A denúncia da promotoria militar diz que a omissão do sargento Jurandir ganha relevo com o depoimento do soldado Ozir Nogueira de Queiroz Sobrinho.Ozir declarou em depoimento ter tomado conhecimento de que o subtenente Nóia veio de Moraes de Almeida e fez a apreensão de 1.800 quilos de cassiterira do garimpeiro conhecido por Vicente e que esse minério estava na residência da senhora Ana Maria Rusis dos Santos.
 
Ainda segundo o soldado, passados dois meses do fato, ele viu no Posto Dado, de combustíveis, o veículo de “Gauchinho”, um Punto de cor clara. Na ocasião, o sargento Raimundo Jurandir impediu o soldado Ozir de fazer a abordagem de “Gauchinho” por ser ele protegido do coronel Josafá Borges e inclusive havia feito uma apreensão de cassiterita juntamente com os soldados Castro, Ferreira e Edson, sendo o último pertencente à 7ª Companhia da PM.
 
POLICIAIS TOMAVAM BENS DE GARIMEPEIROS
 
Outro depoimento que reforça os fatos foi prestado pelo cabo Adib Pereira do Nascimento. Ele contou que no mês de maio de 2012 ouviu comentários de que Antônio Noia havia feito uma apreensão de cassiterita e que também houve apreensão do minério por policiais militares do serviço velado.
 
“Convém ressaltar – diz o promotor militar Armando Brasil na denúncia – que estranhamente policiais militares estejam relacionados na ordem de missão assinada pelo coronel Josafá e nela constem os nomes de Antônio Luiz Noia Silva, Fabrício Costa Ferreira e Adriano Melo de Castro.
 
Ao depor, a senhora Ana Maria Rausis dos Santos afirmou que em data que não recorda policiais militares estiveram na casa dela avisando-a de que haviam recebido denúncia sobre existência de armas que a mulher estaria guardando no interior da residência.
 
Ela permitiu que eles entrassem na casa, mas após revista e nenhum arma encontrada, os militares se apropriaram de certa quantidade de cassiterita.O sargento Raimundo Jurandir, por sua vez, narrou ter sido procurado por uma mulher que lhe contou que um homem conhecido por “Gauchinho”, acompanhado de quatro policiais militares, haviam agredido pessoas em um garimpo, apropriando-se de toda a produção de cassiterita.
 
O sargento, porém, negou que os quatro policiais fossem seus subordinados, mas repassou à mulher o telefone do tenente-coronel Julimar (Julimar Gomes da Silva, atual comandante da PM de Itaituba) para que ela o procurasse.
 
Jurandir relatou que depois tomou conhecimento, após conversa com o coronel Julimar, que os autores do crime foram os policiais militares Adriangelo Melo de Castro, Edson Carvalho Vieira, Fabrício Costa Ferreira e o soldado Fonseca, sendo que Castro e Fabrício pertenciam ao serviço reservado do CPR-X. Em uma folha da denúncia feita por Armando Brasil à Justiça Militar consta um auto de reconhecimento feito pelo garimpeiro Carlos Augusto Bento das Chagas onde ele aponta os soldados Ferreira e Castro como os PMs que auxiliaram “Gauchinho” a apreender toda a sua produção de cassiterita.
 
Armando Brasil destaca que as denúncias feitas em carta dos moradores de Moraes de Almeida foram encaminhadas ao coronel Josafá Borges, mas ele, de forma “estranha”, não tomou nenhuma providência de natureza legal, o que leva o Ministério Público Militar a concluir que o coronel “aderiu à conduta delituosa dos demais denunciados”.
 
No caso de “Gauchinho”, por ser civil, o envolvimento dele no caso terá de ser apurado pelo Ministério Público de Itaituba, que já recebeu cópia da ação penal militar com o relato dos fatos. Nenhum dos acusados foi encontrado em Itaituba ou Moraes de Almeida para comentar a denúncia do MPM.
 
      Sub Tenente Antônio Luiz Noia Silva
MILITAR É ACUSADO DE CRIMES DE ENCOMENDA
 
O subtenente Antônio Luiz Noia Silva é um homem temido em Itaituba e no distrito de Moraes de Almeida, onde é uma espécie de xerife há vários anos.
 
Ele é acusado de ter praticado inúmeras arbitrariedades e de não ter sido admoestado por seus superiores na PM, que sempre o tiveram como homem de total confiança.
 
Em um dossiê do integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT) na região, Adilson Prestes, em 2004 o então sargento Noia foi acusado de proteger grileiros de terras e madeireiros ilegais que atuam na região.
 
Prestes chegou a elaborar um detalhado dossiê sobre o crime organizado no oeste paraense, com nomes ilustres de empresários, políticos e autoridades, inclusive da PM, nos estados do Mato Grosso e Pará.
 
O nome de Noia aparece várias vezes, inclusive como autor de ameaças de morte a Prestes. Nenhuma autoridade do Pará levou a sério as denúncias, seja por omissão ou conivência, e o fato é que, no dia 3 de julho de 2004, Prestes foi assassinado com seis tiros na porta de sua casa, em Novo Progresso, quando chegava de motocicleta por dois homens que o aguardavam em um moto, na rua.
 
DENÚNCIA À ONU
 
Prestes, que denunciava crimes ambientais e invasão de terras indígenas por grandes grupos econômicos de fora do Estado, chegou a ser chamado de “o Chico Mendes do Pará”, em reportagem do jornal O Globo.
 
O crime, porém, até hoje, continua impune. O processo, que aponta um certo fazendeiro conhecido por José Paulo como suposto mandante, está engavetado na justiça.
 
A irmã da vítima, Ivanilde Prestes, denunciou o caso à Organização das Nações Unidas (ONU), setor de Direitos Humanos.O promotor de justiça do Pará, Arnaldo Azevedo, num relatório sigiloso, comprovou as denúncias feitas por Adilson Prestes, pedindo que fosse aberta investigação. O pedido foi ignorado.
Fonte: DOL
 
 

 

Comentários

Lamentavel e vergonhoso.Mais a corporação e uma grande familia e como em toda familia sempre tem uma ovelha negra.Então são estes mar policias.Mais tanbem exgiste bons policias que faz seus trabalhos com honestidades.Não vamos julgar todos por mal feitos de poucos.Com certesa a justiça militar vai dar uma resporta sartifatoria para a sociedade itaitubense e região e isto que esperamos.

descaso

Pode ter certeza que isso é só o inicio dos podres que aquela região esconde....os policiais que vão para esses garimpos, não "arredam o pé" se não pagarem e não permanecem se não continuarem pagando, é vergonhoso mas, essa é a realidade....fora que eles fazem de um tudo nesses lugares, menos o trabalho de polícia. Por isso as denúncias que são abafadas, vai abalar direto o bolso dos coronéis que saem ricos de la.

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